Por Lugares Incríveis: Livro x Filme
Resenha: Por Lugares Incríveis - Livro x Filme
O filme:
A primeira impressão que eu tive do filme foi ele ser raso, e eu não estava errada. Por ter assistido o filme primeiro, eu não sabia o que esperar. Adorei os atores e os cenários, principalmente do Buraco Azul, mas o filme não tocou no meu íntimo, eu esperava mais emoção, mais aprofundamento e não foi isso o que aconteceu. O filme todo eu senti que fosse a história de dois adolescentes que estão no ensino médio e começam um relacionamento praticamente do nada, e no final o Finch morre sem mais explicações. A trama da Netflix não abordou o psicológico do protagonista, e no fim ele se suicidou por ser um “garoto problemático”. O enredo seguiu o livro em vários quesitos, todavia não transmitiu o que a Jennifer Niven conseguiu passar através de sua escrita, simples e tocante.
O livro:
Violet Markey, típica garota americana que está no ensino médio, perde a irmã, que também era melhor amiga, em um acidente de carro voltando de uma festa. Desde o ocorrido, a vida de Violet se transformou da água para o vinho, a garota popular, que namorava um dos caras mais bonitos do colégio e tinha um ciclo social considerável se vê solitária e em um quadro de depressão. Os traumas do acidente persistem, nove meses depois, e as pessoas ao redor dela não entendem o porquê de ela ainda “não ter superado”. O livro começa com ela e Finch em cima da Torre do Colégio, ambos imaginando como seria se jogar de lá. Eles se conhecem em um momento difícil e Violet sente vergonha daquele episódio, com a irmã tendo perdido a vida tão jovem ela se sente culpada por querer um fim e, desse modo, dar mais uma facada nos seus pais.
Theodore Finch mora com as duas irmãs e a mãe. Com os pais separados, ele é obrigado a visitar o pai toda semana, mesmo estando desconfortável com isso. A família do Finch é muito importante na construção dele e no desenvolvimento dos transtornos psicológicos, o pai o espancava constantemente e a mãe sempre se absteve da responsabilidade com o filho. O garoto pesquisa arduamente sobre suicídio, estatísticas e modos, sendo bem nítido o seu desejo de um dia tirar a própria vida. Ele tem momentos de apagões, que é quando ele não se lembra e nem faz ideia do que está acontecendo, porém, com Violet, ele bate o recorde de “estar acordado". A garota não quer muito papo com ele no começo, temos a impressão de que ela ainda é um pouco esnobe e tem vergonha por ter conhecido ele em um momento tão difícil. Na aula de geografia, Finch decide que ela vai ser sua dupla em um trabalho escolar, e Violet não tem possibilidade de recusar. Eles conhecem lugares de Indiana e, desse modo, vão entrando mais a fundo na vida um do outro, apaixonam-se e começam um relacionamento. Outras coisas legais presentes no livro é a analogia Júpiter Plutão:
“Mas eu contei tudo isso pra dizer que é assim que me sinto agora. Como se Plutão e Júpiter estivessem alinhados com a Terra e eu estivesse flutuando.”
Finch fala isso pra Violet quando eles acabaram de ter um momento muito íntimo e único na vida deles.
O livro realmente me tocou, ao ponto de eu ficar semanas pensando no desfecho e no Finch; em como o desamparo e íntimo da pessoa podem levar ela ao suicídio. Theodore Finch é um personagem incrível, muito bem construído.
Sinto mil capacidades brotarem em mim.
Ps: uma parte da Nota da Autora:
Muitas vezes, transtornos mentais e emocionais não são diagnosticados porque
a pessoa com os sintomas sente vergonha, ou porque as pessoas próximas não conseguem ou escolhem não reconhecer os sinais. De acordo com a Mental Health America, estima-se que haja 2,5 milhões de pessoas com transtorno bipolar nos Estados Unidos, mas o número verdadeiro deve ser duas ou três vezes maior que isso. A quantidade de pessoas com a doença que não são diagnosticadas ou que são mal diagnosticadas chega a oitenta por cento.
Se você acha que algo está errado, fale. Você não está sozinho.
Não é sua culpa.
Existe ajuda para você.


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